O LAPT é um evento que nada tem a ver com os seus "irmãos" dos outros continentes. São os jogadores que fazem um torneio, como é óbvio, e em mais nenhum sítio se encontra um grupo de jogadores tão frenético, com um rail tão entusiasmado, numa perfeita comunhão de adrenalina, emoção, unhas ruídas até ao sabugo, desilusões, gritos, piadas... Rumo ao vencedor final.
E a velocidade estonteante a que tudo isto acontece, meus senhores? E a velocidade? Digamos que ainda bem que não há radares para medir a velocidade de um torneio de poker, ou o LAPT perdia uma boa parte do seu encanto. Para terem uma ideia, o recorde de mesa final mais rápida da história do circuito pertence a Ryan Fee, que demorou apenas 3 horas e 40 minutos para aniquilar a mesa final do LAPT San José na 2.ª Temporada.
O recorde permanece até hoje, mas o campeão do Main Event desta 4.ª Temporada esteve muito perto de o bater. Oh, se esteve! Quatro horas foi precisamente o tempo que Daniele Nestola demorou para fechar a cortina de mais uma temporada plena de sucesso e recolher o 1.º prémio do Main Event LAPT em São Paulo, no valor de R$289.300!
Nestola conseguiu quatro das sete eliminações da mesa final. Começou a carburar com a eliminação de Juan González no 8.º post; depois deixou para os chilenos a missão de "varrer" Vitor Torres na 7.ª posição e o Team PokerStars Pro Daniel Negreanu na 6.ª; Negreanu, que pode não ter ganho o prémio maior, mas coleccionou a primeira mesa final da sua carreira num LAPR, tornando-se, agora, no primeiro jogador da história do poker a marcar presença numa mesa derradeira de um EPT, APPT e LAPT.
Depois, Nestola voltou ao ataque e encarregou-se das eliminações de Jonathann Markovits e Felipe Morbiducci nas 5.ª e 4.ª posições, respetivamente. Foi então que Nestola propôs um acordo, mas Gasperino Loiacano e a sua barulhenta claque recusaram, antes de o verem a eliminar Carlos Ibarra com um top pair jogado de forma perfeitamente dissimulada.
Ficava a faltar-lhe um "escalpe" para erguer o troféu, e Nestola conseguiu-o, recolhendo o primeiro título da sua carreira de poker ao vivo e mandando toda a gente aproveitar o que ainda restava do Carnaval na terra onde ele é celebrado com maior intensidade.
Nestola, como devem saber, é alemão. Passou a mesa final inteira a virar-se para trás e a falar com dois compatriotas amigos na assistência. Em alemão. Mas isso não os impediu de gritar "VAMOOOOO" por várias vezes durante a foto de campeão de Nestola, depois de terem cantado o "We Are The Champions", dos Quuen, durante a cerimónia de entrega do troféu.
É o que o poker brasileiro - e do LAPT em geral - faz às pessoas. Pega numa nação sisuda como a Alemanha e transforma o seu povo em pessoas alegres, cantantes, vibrantes e a gritarem palavras em línguas estrangeiras.
E é assim que gostamos dele!








