Fazer bluff com a mão vencedora não é uma situação comum, sobretudo quando esse bluff é feito sob a forma de uma value bet. E quando isso dá origem a um pote de 94.000 fichas num momento em que as blinds estão em 300-600 (Ante 50), é bem provável que lance o bluffer para o topo do chip count. Um movimento que poderia ter resultado numa queda abrupta na tabela do Dia 1A acabou, ao invés disso, por lançar um jogador para a lierança do torneio. E como estamos em Portugal, esse jogador só podia ser da casa (duplamente): André Coimbra!
Confuso com o parágrafo anterior? Não vale a pena pois vou explicar tim-tim por tim-tim a mão à qual tive o privilégio de assistir in loco. Ver um compatriota a descarregar fichas desmesuradamente num pote que julgamos que pode estar perdido é medonho... Vê-lo tentar roubá-lo com uma aposta de 15.000 num pote já com mais de 64.000 fichas é o fim do Mundo. E quando constatamos que, afinal, "temos" a mão vencedora somos acometidos por um sentimento de perplexidade... Apenas nós, os que estamos de fora, pois ao chegar ao computador deparamo-nos com a justificação do Team PokerStars Online no seu Twitter: "Há um raise pré-flop under the gun e dou three-bet com 8♣5♦ porque tenho uma 'read' do jogador que me indica que não está forte".

Pois imaginem-se, então, mesmo atrás do André Coimbra e depois de Dario Majone fazer raise para 1.350 conseguirem ver a mão do português. Quando ele começa a empilhar 4.000 fichas, pensamos: "Ele não vai fazer isto!" Quando ele as lança para a mesa, começamos a fulminar o italiano com o olhar: "Fold! Fold! Fold!". Mas ele dá call...
Quando o flop traz para a mesa 3♣9♠5♠, vemos Coimbra a disparar 5.000 e Majone a subir para 12.000, fulminamos o português com o olhar: "Fold! Fold! Fold!" Mas ele faz o call...
É então que o turn traz K♦ e vemos André Coimbra a lançar 16.000 fichas para a mesa. O italiano nem pestaneja para dar call e nós pensamos: "Já foste!". Vemos sair o 7♣ no river e, sinceramente, não queremos estar na pele do protagonista... O que faríamos nesta situação? Check e rezar para que Majone fizesse uma aposta para podermos fazer o nosso teatro e desistir, não mostrando a mão com a qual estamos a "derreter" tantas fichas, abdicando das 32.000 fichas que já colocámos no pote? Avançar all in em "bluff" completo arriscando todo o torneio? Eu não sei... No lugar do Coimbra, se calhar, atiraria as cartas para o muck imediatamente.
Mas o Coimbra estava determinado a arrecadar o pote e optou por uma solução diferente... Apostar 15.000 num pote de 64.000, simulando uma value bet. Mas são tão poucas fichas que corre o risco de o adversário não desistir. E este não desiste mesmo, apesar de ter apenas 4♣4♠, lançando o Team PokerStars Online para a liderança do torneio, posição de onde não voltaria a sair até ao final do Dia 1A! O português empacotou 157.600 no final do dia!
Bem perto de Coimbra seguem, no entanto, dois ingleses: Paul Foltyn (145.900) e Toby Lewis (141.900) regressam também carregados para o Dia 2, na segunda-feira e dispostos a não dar tréguas ao líder português.
Assim como Dario Minieri, que é o 4.º classificado do chip count com 131.400. Não fosse o pote de quase 60.000 fichas que perdeu para o português José Noronha, quando teve K♣K♦ e embateu em A♠A♦ e a história do final do Dia 1A podia ser outra, a começar mais ou menos assim: "Quando um jogador que leva a vida a fazer three-bet, four-bet ou até five-bet com mãos que não lembram ao diabo, é difícil acreditar quando ele tem mesmo mão. E quando isso acontece só pode acabar num pote gigante que o coloca na liderança do torneio". Mas não foi assim e a liderança é portuguesa!

O topo do chip count, de resto, está recheado do nomes bem conhecidos no principal circuito europeu de poker. António Esfandiari é o senhor que se segue, com 127.800 fichas, à frente de Arnaud Mattern. O francês esteve à beira de se tornar no primeiro bicampeão do EPT mas acabou em 3.º lugar, eliminado pelo vencedor Kevin Stani. Mas, pelos vistos, ainda não desisti da ideia e quer tentá-lo desde já em Portugal. Bertrand "ElkY" Grospellier que se cuide, pois Mattern está determinado a ganhar a aposta que fizeram sobre qual dos dois seria o primeiro a conquistar um segundo título.

Entre os Team PokerStars Pro, também Henrique Pinho segue para o Dia 2, com 71.400 fichas. Não é um mau registo, embora o jogador lamente uma mão contra Janos Toth em que o húngaro fez slow play a ases e arriscou ser eliminado pelo português, que acabou a colocar muito poucas fichas para ver um 4 um 8 ou uma copa no river que melhorassem o seu 8♥4♥. Não pintou e o Team PokerStars Pro Portugal lá teve de fazer pela vida, escalando de novo até à casa das 70.000 fichas com a contribuição de um A♣A♦ com o qual conseguiu estrair bastante valor a Ludwing Lacay, outro dos principais animadores do dia de Henrique Pinho.

Entre os sobreviventes do Dia 1A, Pieter de Korver (80.800), John Duthie (57.100), JP Kelly (50.300), Marcin Horecki (40.800), Vicky Coren (29.500) e Alex Kravchenko (27.800) representam a Team PokerStars Pro. Teddy Sheringham, Friend Of PokerStars também segue para o Dia 2 com 29.900 fichas, depois de ter passado todo o dia na mesa de Henrique Pinho.
Para uns sobreviverem, outros têm de cair e, nesse sentido, as principais vítimas do dia foram Annette Obrestad e Barny Boatman. Dos 181 jogadores que participaram no Dia 1A restam apenas 101. Mas o principal dado a reter daqui é a iminência de o número de participantes neste EPT Vilamoura superar os números de 2009, onde participaram 322 jogadores.

Amanhã joga-se o Dia 1B e teremos números oficiais. Até lá podem conferir a classificação actual na página de chipcounts ou recordar os principais acontecimentos do dia:
Níveis 1 e 2
Níveis 3 e 4
Níveis 5 e 6
Níveis 7 e 8
Amanhã estamos de volta ao meio-dia para vos contar as principais incidências do Dia 1B deste EPT Vilamoura. Em acção estarão os Team PokerStars Pro Nuno Coelho e João Nunes em representação das cores portuguesas e é também o dia em que Daniel Negreanu fará a sua primeira aparição no Casino de Vilamoura. Não percam!









