fevereiro 29, 2008 2:44 PM
EPT Copenhagen: Tim Vance, de St Louis, classificado pelo PokerStars, vence o EPT Copenhagen
Você talvez não se lembre da final de Barcelona, já há um tempo nesta temporada, indo pela noite adentro. Você pode até ter esquecido a final de dois anos atrás, ocorrida neste mesmo casino, que assistiu ao dinamarquês Mads Andersen vencer quando o relógio já batia 3 horas da manhã e as equipes de filmagem buscavam freneticamente trechos de fitas virgens, antes que o estoque acabasse. Tais jogos mano-a-mano foram longos, mas esta noite Tim Vance, classificado pelo PokerStars com 46 anos de idade, contratador em St Louis, EUA, venceu uma maratona mano-a-mano de quatro horas e meia – a mais longa da história do EPT – para se tornar o novo campeão do torneio, arrematando DKK6220488 ou €834.590.
Vance derrotou o dinamarquês Soren Jensen, um exuberante personagem de Aarhus, Dinamarca, que teria sua própria história contada esta semana, caso as cartas ás-dez de espadas de seu oponente não tivessem formado o flush vencedor. Tal como você talvez tenha imaginado em sonhos, quando Soren foi all-in, Tim já sabia que o jogo tinha acabado, dizendo "Foi um prazer jogar com o senhor, eu pago...". e Soren foi derrotado..
Na última semana, Tim Vance tem sido o mesmo homem acessível, do começo ao fim do dia. Fácil de se identificar numa sala de poker por sua tendência a ficar de pé, quer esteja jogando ou não jogando uma mão, ele estava já em seus últimos 11k no dia 1, quando falei com ele pela primeira vez – mas acabou sobrevivendo rumo ao dia dois, ao três e chegou à final liderando a pilha de fichas. Tratava-se de uma liderança que, apesar das valentes tentativas de seus oponentes, ele não estava disposto a entregar.
A mão que determinou o destino do torneio ocorreu ontem, no fim do dia, contra Kristian Pedersen, enquanto percorríamos o nosso caminho em busca dos derradeiros oito jogadores. Pedersen tinha ido all-in, com um montante colossal, as fichas espalhadas por toda a mesa, tal como se um tolo desatento tivesse colidido com ela e derrubado suas colunas umas sobre as outras. A realidade era, porém, muito diferente.
Tim Vance ouvia idéias correndo em sua mente, quando as câmeras focalizaram a mão. Tim gostava de pensar em voz alta e, neste momento, decidiu que o seu oponente teria ás-e-rei. Estava convencido. De novo e de novo disse a si mesmo “ás-e-rei”, antes de pagar e mostrar seu par de noves. Pedersen, que até então tinha aguardado pacientemente – enquanto a multidão se aproximava e as câmeras ignoravam tudo isso, só focalizando o que estava sendo dito – mostrou suas cartas. Ele tinha ás-e-rei.
Daí em diante, Tim não olhou mais para trás. Apesar de uma suave sacudidela bem cedo no dia – uma mão perdida que o fizera andar pelo palco e repreender a si mesmo por quase uma hora, nunca perdeu de vista o prêmio final. Depois, Tim diria que, alguns anos antes, após a derrota num satélite do evento principal, ele teria oferecido às pessoas que, se comprassem seu buy-in, elas poderiam ficar com todo o prêmio que ganhasse. Ninguém aceitou, mas talvez tenha sido um erro deles.
Como as coisas se desenrolaram? Não seria uma mesa muito elegante, embora não soubéssemos que, quando as coisas começaram às 14h15 desta tarde...
Lugar 1 -- Rasmus Hede Nielsen -- Dinamarca 789.000
Lugar 2 -- Timothy Vance -- classificado pelo PokerStars -- EUA – 1.408.000
Lugar 3 -- Daniel Ryan -- classificado pelo PokerStars -- EUA – 557.000
Lugar 4 -- Patrik Andersson -- Suécia – 283.000
Lugar 5 -- Simon Dørslund -- Dinamarca – 267.000
Lugar 6 -- Nicolas Dervaux – França – 336.000
Lugar 7 -- Søren Jensen -- Dinamarca – 500.000
Lugar 8 -- Magnus Hansen -- Dinamarca – 458.000
Vance tinha as fichas, mas dividia a atenção com outros dois jogadores. Rasmus Hede Nielsen, da Dinamarca, tinha começado o dia três com a liderança das fichas e tinha cuidadosamente pilotado a sua pilha rumo a um lugar na final – algo que nem sempre é possível ao líder no dia três. Ele era mais do que capaz de tirar o máximo proveito de suas fichas. Assim como Danny Ryan.
Danny era outro classificado pelo PokerStars, também conhecido como um dos muitos jovens mestres de poker online. Seu estilo calmo e agressivo, milhões de anos distante das tendências expressivas de Vance e Jensen, sempre significou uma ameaça – e, claramente, com esses dois outros jogadores, parecia dominar o jogo desde o princípio.
Levou meia-hora para um jogador ser eliminado. Patrick Andersen foi o primeiro a ir embora, quando foi all-in após um aumento de aposta no botão de Daniel Ryan. Ryan pagou mostrando A-5, com Andersen tendo apenas K-6. Um cinco no flop deu o pote ao norte-americano, sem qualquer ajuda de cartas futuras a Andersson, que deixou o torneio com DKK 569.333 ou €76.386.
Quase duas horas e meia se passaram antes que Simon Dørslund saísse em sétimo lugar, com DKK801.283 (€107.507). Após um aumento de aposta de Tim Vance, Simon forçou no small blind, levando Tim a pagar caro com A-K. Simon tinha A-8 e, apesar de uma pedida de seqüência no turn, não teve mais ajuda.
O francês Nicolas Dervaux tinha sido um jogador quieto desde o começo. Foi ele tomado pelos refletores de TV, como alguns pensaram? Talvez, mas como Nicolas não falava Inglês, pode ser que ela tenha ficado calado por uma outra razão.
Ele foi eliminado em sexto lugar, saindo com DKK1.012.147 (€135.798), quando agiu com J-5, sendo pago por Soren Jenson com A-7. Inicialmente, ele parecia feliz com o valete que surgiu no flop. Mas não precisaria se preocupar por muito tempo – pois o ás no turn sentenciou o francês.
Agora, Tim Vance tinha-se tornado um personagem para amar ou detestar, sem meio-termo. Não era nada pessoal, apenas o fato de Tim cantar demais (o repertório inteiro dos Beatles) e pensar em voz alta. Mas isso não era nada comparado a Soren Jensen.
Havia rumores sobre Soren ter decidido não mudar de roupa a semana toda – supostamente por receio de lavar a boa sorte – e, além disso, ele comemorava grandes potes com exclamações Nórdicas de alegria, vivas, socos no ar e abraços de urso em seu irmão que assistia ao jogo.
Danny Ryan só seria eliminado depois da pausa do jantar. Ryan tinha ameaçado um golpe uma ou duas vezes e superado barreiras na noite anterior, para chegar aqui sem boa parte de sua pilha, perdida para Kristian Pedersen que, por sua vez, fora eliminado por Vance.
Ele foi, enfim, forçado a agir com A-Q, sendo pago por Rasmus Nielsen, com A-K, e rapidamente estaríamos com apenas quatro jogadores.
Rasmus manteve o ritmo em algumas hora e teve de lutar em outras. Mas, com apenas quatro na mesa, não se pode segurar mais. Aumentou a aposta no pre-flop só para ser pago por Tim Vance, que aumentou para 350k, pondo suas fichas no pote antes de começar a cantar mais um refrão. Resignado ao seu destino, Rasmus descansou a cabeça sobre a mesa como se fosse assistir a algo desgostoso. E assistiu. O flop veio com 9-7-J arco-íris. Tim olhou para Rasmus que escondia sua cabeça e declarou ‘all-in’. Rasmus tinha pouco a dizer...
“Eu pago”
Tim não queria ouvir isso. “Você conseguiu um vencedor, homem, bom 'call'.”
Par de oitos para Rasmus e apenas A-Q para Tim. O valete no turn pareou com o da mesa e levou Tim a ter algo de que ele só tinha necessitado poucas vezes em toda a semana – um pouco de sorte. Um ás no river virou o jogo de cabeça para baixo. Rasmus saía em quarto lugar com DKK1.560.394 (€209.355).
Faltavam três...
Tim Vance – classificado pelo PokerStars – EUA – 2.037.000
Soren Jensen – Dinamarca – 1.485.000
Magnus Hansen – Dinamarca – 1.076.000
A final gradualmente tinha-se tornado um negócio EUA vs Dinamarca, ou mais especificamente Vance vs Jensen. O terceiro jogador nesta mistura era Magnus Hansen, outro dinamarquês, que não tinha feito nada errado até agora e sempre ameaçava sorrateiramente, numa posição de autoridade, poucas centenas de milhares distante de Jensen.
Num flop T-4-9 ele aumentou a aposta, com Soren indo all-in. Magnus passou enquanto Soren tomava o tempo para uma das suas muitas caminhadas.
Magnus pagou.
Isso trouxe Soren de volta, que sabiamente mostrou 9-4 para dois pares. Apenas T-6 para Marcus, formando um par de 10s. O turn ajudou Magnus com uma possibilidade de flush, mas este não foi o seu destino. Tinha sido pré-arranjado pelos deuses do entretenimento que este dois extrovertidos, de cantos opostos do mundo, se encontrariam em combate, para disputar o EPT Copenhagen. Apesar da possibilidade de 14 outs no river, Magnus Hede Nielsen saiu em terceiro lugar, com DKK2.045.381 ou €274.425.
O que aconteceu depois surpeendeu a todos. Tanto Vance quanto Jensen puseram os pés no freio. Em verdade, ficaram com os pés no freio. As coisas pareciam ter ido de 100mph para 20mph, num intervalo de cinco minutos.
As mãos assumiram um padrão regular – uma aposta, um call, um flop, antes de ambos os jogadores passarem até o final. Isso aconteceu de novo e de novo e, após vinte minutos, ficou claro que Tim e Soren pretendiam fazer uma batalha de persistência.
Num flashback, voltamos a 2006. Mads Andersen e Edgar Skjervold, dois dos mais quentes jogadores da Escandiávia de então, batalharam numa final volátil por horas a fio. Uma final memorável deivido aos 'double ups' – tanto Andersen quanto Skjervold jogavam com pilhas suficientes para agarrar uma oportunidade quando a viam. O resultado – flutuações de fichas de um lado para o outro, até que Andersen finalmente prevalecesse.
Vance e Jensen, porém, fizeram uma abordagem oposta. Vance diria mais tarde estar ciente de que, quanto mais pudesse alongar a final, melhores as suas chances. Talvez porque estivesse bebendo café, enquanto Jensen bebia cerveja. Ou talvez tivesse a ver com experiência e uma incrível habilidade para permanecer calmo, mesmo quando as coisas pareciam terríveis – e ambos os jogadores tomaram parte nisso.
Com Hansen fora de jogo, Vance e Jensen estavam muito próximos em fichas, com Soren definindo o limite.
Tim Vance – classificado pelo PokerStars -- EUA – 2.125.000
Soren Jensen -- Dinamarca – 2.475.000
Soren começou ganhando e logo aumentou sua pilha para 2,8 milhões. Mas nenhum dos dois estava preparado para jogar a toalha. De novo, potes pequenos, um aposta, outro paga e ambos passam pelo river. Um pote para um; outro pote para outro.
Então, após duas horas e meia de mano-a-mano, aconteceu...
Tim aumentou a aposta no pré-flop, com seus 200k já costumeiros – assim como tinha feito muitas vezes antes de Soren pagar. O flop trouxe 8-2-T, sendo duas cartas de paus. Mais 200k de Tim; mas agora Soren aumentou de novo – nada demais, a aposta mínima, para 400k. Tim pagou, fazendo com que as cabeças da platéia rapidamente voltassem à vida. Uma dama de espadas no turn e Soren passou, assim como Tim faria em seguida por um valete de paus no river. Tim forçou e Soren pagou, mostrando os dois pares que tinha feito no turn. Mas agora era a vez de Tim dar o seu pulo de alegria, mostrando o flush feito no river. Como as coisas teriam sido diferentes se Jensen tivesse apostado no turn...
“Eu deveria ter aumentado a aposta no turn,” disse Soren.
“Sim, você deveria ter feito isso” respondeu Tim.
Mas Tim estava agora de volta à frente – 3,7 milhões contra 870k.
Poderia Soren recuperar força explosiva após tamanho golpe? Bem, a resposta parecia ser 'sim', quando, dez minutos depois da esperança aparentemente perdida, Soren se saiu bem com um par de reis, contra K-Q de Tim. Nada de sorte dessa vez para o norte-americano, e o dobro de fichas para Soren.
Mas as idéias de um retorno terminariam aí. Às 1h40 da madrugada de Domingo, Soren passou com 2-7-8 no flop, sendo duas cartas de espadas. Ambos passaram, e o turn trouxe outra carta de espadas, um três. Soren agora apostou 115k, que Tim pagou rapidamente – muito rapidamente. Algo estava para acontecer. Soren entrou em campo com possibilidades de seqüência e de flush. Tim persistiu. Seria este mais um monólogo de possíveis mãos? Não.
"Foi um prazer jogar com o senhor... Eu pago."
Tim arremessou na mesa sua mão com A-T de espadas, o 'nut flush'. A mão de Soren era imaterial agora. Após quatro horas e meia, Tim Vance tinha ganhado o EPT Copenhagen.
Tim Vance passara toda a semana falando alto com sua filha de três anos e meio, Nanzi – a sua própria imagem dentro de um boné do St Louis. Dentre todos, Tim era uma daquelas pessoas a quem desejamos bem simplesmente pelo fato de estar se divertindo. Ele conversava com todos, cantava constantemente, até mesmo quando suas esperanças de ganhar pareciam mínimas. Mas o choque de ganhar, com o efeito dessa vitória sobre a sua vida e a de sua família era um pouco demais. Após vencer, ele fez exatamente o mesmo que fizera em cada intervalo durante a semana. Saiu para fumar um cigarro e conversar com qualquer um que também estivesse fumando por perto.
Agora que ele tinha ganhado, havia pouco a dizer. Seu trabalho havia sido feito – o trabalho que acreditava poder cumprir desde que tinha aterrisado em Copenhagen na Segunda-Feira. Ele provou a si mesmo, e a centenas de pessoas que assistiram à última mão e à frase perfeita para coroar tudo. Foi um prazer assistir ao senhor.
Tim Vance - "Eu sabia que ia vencer. Eu era o melhor e o que mais queria vencer. Houve momentos em que cometi erros e momentos em que tive sorte. Mas eu o superei em persistência. Eu sabia que, quanto mais demorasse, maiores as minhas chances de ganhar. Foi uma competição dura, mais dura do que qualquer outro lugar em que eu já tenha jogado."
Resultado da mesa final do EPT Copenhagen -
1˚ – Timothy Vance – classificado pelo PokerStars– EUA -- DKK6220488 or €834.590
2˚ – Soren Jensen – Dinamarca -- DKK3.521.429 or €472.463
3˚ – Magnus Hansen – Dinamarca -- DKK2.045.381 or €274.425
4˚ – Rasmus Hede Nielsen – Dinamarca -- DKK1.560.394 or €209.355
5˚ – Daniel Ryan – classificado pelo PokerStars – EUA -- DKK1.286.270 or €172.576
6˚ – Nicolas Dervaux – França -- DKK1.012.147 or €135.798
7˚ – Simon Dorsland – Dinamarca -- DKK801.283 or €107.507
8˚ – Patrik Andersson – Suécia -- DKK 569.333 or €76.386










