Manchetes do blog PokerStars
EPT Dortmund: Mike McDonald, de 18 anos, torna-se o mais jovem ganhador do EPT

Às vezes é um alívio quando o melhor vence. Havia alguns bons candidatos quando o jogo começou esta tarde, mas os olhares céticos ficam confundidos quando habilidade, talento e potencial se combinam num jogador tão aparentemente vulnerável. Algumas vezes é mais difícil descobrir o calcanhar de Aquiles, mas o do canadense Mike McDonald, de 18 anos, estava belamente protegido esta noite.
A decolagem de sua carreira tem oficialmente apenas seis meses de idade, e é difícil imaginar Mike já passando por uma fase ruim. Ele passou por uma, que, porém, durou apenas três meses, e nas últimas cinco semanas a sua volta por cima envolveu cinco prêmios, já totalizando mais de $1,5 milhão. E, ao julgar pelo modo como joga – calmo, ponderado, tomando menos riscos que a maioria – é difícil imaginá-lo voltando a dias ruins.
McDonald teve poucas rejeições em sua experiência, jogando mais e mais e conquistando o seu primeiro prêmio no EPT Praga no último Dezembro.
Então ele se parecia com as dúzias de jovens jogadores fazendo a sua estréia no EPT, talvez um pouco mais ponderado e preciso que a maioria, mas sedento, agressivo e com pouca preocupação com relação ao valor das fichas com que jogava. Ele terminou em 14˚ na Capital Tcheca, arrematando €20.200 antes de partir para o festival Aussie millions, na Austrália, onde um segundo lugar inflamou sua carreira. Não havia nada que pudesse pará-lo, e o EPT Dortmund estava prestes a ver isso por conta própria.
Então voltemos para o começo do dia de hoje...
Assento 1 -- Mike McDonald – Canadá -- 862k
Assento 2 -- Diego Perez – Espanha -- 744k
Assento 3 -- Thibaut Durand – França – 148k
Assento 4 -- Johannes Strassmann – Alemanha – jogador patrocinado pelo PokerStars -- 827k
Assento 5 -- Christian Harder – Estados Unidos – classificado pelo PokerStars -- 339k
Assento 6 -- Andreas Gulunay – Alemanha -- 560k
Assento 7 -- Torsten Haase – Alemanha - 369k
Assento 8 -- Claudio Rinaldi – Suíça – 276k
Ao começar o dia, McDonald só olhava para frente. A história seria simples – Johannes Strassmann e Mike McDonald gradualmente eliminariam o resto do campo (McDonald de fato eliminou cinco), depois os dois apertariam as mãos e enfrentariam uma batalha mano-a-mano com pilhas equivalentes e com tudo em jogo. Eles pareciam mais confiantes e habilidosos que os demais – tanto para a platéia quanto para si mesmos. Mais tarde, McDonald contaria ter recebido uma visita de Strassmann às 3h da madrugada anterior – com amigável rivalidade, Strassmann teria dito que estava determinado a conquistar o EPT em sua terra natal.
Ninguém duvidava da determinação de Strassmann nas primeiras horas da final. O alemão de 22 anos, cotado para se destacar regularmente nas edições futuras deste tour, estava vivo na mesa – falando, encantando, utilizando uma conversa de mesa ótima de assistir e nos remetendo à final do ano passado, quando Andreas Hoivold falava aos demais finalistas mesmo sem resposta.
Christian Harder ou ‘Charder’, norte-americano classificado pelo PokerStars, seria o primeiro a partir. Ele era um dos short stacks e aproveitou a oportunidade ao encontrar A-K como suas cartas fechadas. O que não podia prever era Mike McDonald com ases na mão. O inevitável ocorreu, e rapidamente estávamos com apenas sete jogadores na mesa, saindo Harder com €85.500.
Uma hora depois eram apenas seis. Desta vez foi o francês Thibaut Durand forçando jogo com uma seqüência de A-4, após a pausa, sendo igualado por Johannes Strassmann. Até então, a final projetada por McDonald e Strassmann parecia estar-se realizando. Strassmann tinha par de oitos que se mostraram suficientes, enviando Durand para a rua com €120.200.
Mas as coisas logo se tornariam duras para Strassmann. Manter seu estilo agressivo finalmente lhe custaria algo – grandes raises seriam ultrapassados por re-raises com all-in e, se ele apresentou o melhor entretenimento, também provou ser o mais volátil. Com mais de um milhão de fichas, ele passou por um período negro e, logo, à sua queda... mais rápido do que qualquer um imaginaria.
Então, por um bom tempo raramente vimos um flop. As mãos eram ou descartadas ou geravam re-raises com all-in – e foi Strassmann quem mais sofreu. Os dois primeiros jogadores a sair tinham deixado o jogo nos primeiros 90 minutos, mas agora havia a sensação do longo caminho a atravessar. Três jogadores, McDonald, Strassmann e Torsten Haase (outro alemão), estavam todos com pilhas muto próximas – e ninguém, exceto Claudio Rinaldi, estava com tão pouco que um movimento de tudo ou nada se fizesse necessário.
Torsten Haase – Alemanha – 863.000
Diego Perez – Espanha – 851.000
Johannes Strassmann – Alemanha – jogador patrocinado pelo PokerStars – 825.000
Andreas Gülünay – Alemanha – 643.000
Mike McDonald – Canadá – 528.000
Claudio Rinaldi – Suíça – 383.000
O desfalecimento de Strassmann começou com uma aposta aumentada por McDonald. Doloroso como foi, Johannes teve de descartar sua mão. Enquanto Torsten Haase cavava o seu caminho adiante, a atenção ainda estava sobre os dois favoritos. Então, mais uma mão – e Diego Perez aumentou a aposta, Strassmann aumentou ainda mais e Perez foi all-in. Pode até ser que ele estivesse à frente, mas Strassmann não podia mais arriscar – mais um pote perdido.
Duas horas depois da saída de Durand, veio a mão que tirou Strassmann do jogo. Uma aposta, um re-raise de McDonald e um all-in do alemão – talvez querendo acabar de uma vez por todas com este nonsense. Mas McDonald pagou, e por que não pagaria? Com reis nas mãos, ele estava à frente de Strassmann, que simplesmente abdicou. Estava acabado. Assim como Michael Norinder em Praga – de um milhão a nada, rapidamente – Strassmann estava fora, levando €152.000.
Strassmann tinha levado duas horas para sair de jogo, em sétimo lugar. Agora, os demais jogadores podiam relaxar um pouco. Uma das maiores ameaças tinha partido – sem mais aumentos de aposta, sem mais conversas de mesa que poderiam revelar imediatamente um jogador para todos verem.
Claudio Rinaldi, que tinha-se agüentado bem, seria o próximo. Ele forçou jogo contra Andreas Gulunay, tendo A-9; houve par de setes para Gulunay, que realizou o feito memorável, mantendo-se firme e forte. Rinaldi sairia depois, em quinto, com €193.000.
Como previsto, não tardaria para que o próximo jogador estivesse contando seu dinheiro, fora da mesa.
Diego Perez tinha passado boa parte da semana liderando a pilha de fichas, mantendo-a no terceiro dia bem o bastante para chegar à final com a terceira maior pilha. O fato de ele não ter avançado ainda mais se devia largamente a Mike McDonald. A esta altura, o canadense tinha manobrado através de difíceis horas e estava em boa forma. Ele apostou, Perez entrou em campo e, após alguns momentos de análise contados pelo EPT Live, pela sala de imprensa e pela mente de McDonald, ele pagou. Foi uma boa mão. O jogador de 18 anos tinha 2s, mas estava à frente de Perez, com J-T. Agora só restavam três, com Perez levando €193.000.
Mas não foi assim por muito tempo. O terceiro lugar foi ocupado pouco tempo depois por Torsten Haase. O alemão foi o azarão desta final, escorregando para junto dos favoritos, para passar algumas agradáveis horas ao lado do líder – o único jogador com um montante de sete algarismos. Mas de novo Mike McDonald agiu, pagando o all-in de Torsten num flop de Q-5-3.
No mano-a-mano, McDonald levava vantagem...
Mike McDonald – 2.900.000
Andreas Gulunay – 1.200.000
Havia um abismo entre a aparência dos dois jogadores? Um sólido jogador, Andreas Gulunay alcançava algo que não esperaria alguns dias atrás. Tinha sobrevivido a uma instável mesa final, mantendo-se fora de perigo e assegurando para si €528.500 – e logo o seu estilo passou a refletir isso.
Uma aposta de McDonald assistiu a Andreas entrando all-in. Não sendo o tipo de comprar riscos, com a maior pilha de fichas e sem pressa alguma, McDonald abdicou da mão. Aproveitando a deixa de seus compatriotas alemães cantando “Andy!”, Gulunay ergueu um brinde a eles e disse algumas palavras. Mas, nesse interim, os movimentos dos flashes pareciam apontar para algo que interromperia em breve o seu caminho.
A melhor analogia em que eu poderia pensar é com o filme “Caçadores da Arca Perdida”. Há uma cena em que Indiana Jones, no meio de uma perseguição em busca da mocinha, encontra-se perante um mercenário em traje completo de guerra, dividindo a multidão e se preparando para destruir o herói. Ele apresenta um espetacular malabarismo com sua espada, com a intenção de amedrontar Jones, impressionando o povo à espera do ato final de vitória. Indiana Jones simplesmente saca a sua pistola, atira no homem, termina a briga e continua sua perseguição.
Esta noite, Mike McDonald empreendeu o equivalente disso no poker.
Bang!
A mão estava bem encaminhada – com um flop de K-7-J. Andreas tinha passado, permitindo a Mike apostar 120k. Andreas, talvez subestimando o canadense, ou talvez pronto para acabar com isso de uma vez por todas, aumentou a aposta – mais 300k, que McDonald pagou. Agora se tratava de um grande pote, e o rei no turn em breve o tornaria ainda maior.
Mais 300k de Andreas, que agora alcançava velocidade terminal – sendo de novo pago por Mike. Quando um 2 surgiu no river, o pote já ultrapassava 1,4 milhão. Algumas mãos seguem adiante por acidente, mas McDonald tinha jogado essa perfeitamente até aqui – e Andreas foi all-in, deixando as seguintes palavras “Eu pago”, a única coisa que o separava de um título EPT. Andreas olhou para os lados. Quando McDonald pagou, ele simplesmente disse “você venceu”, soltando as próprias cartas.
Lee Jones, assistindo a tudo da sala de imprensa, resumiu tudo, “Mike jogou perfeitamente – deixando que Andreas fosse diretamente para a armadilha.”
Mesmo com a clara preferência da platéia pelos jogadores alemães, não havia nada além de aplauso para McDonald, ainda não velho o suficiente para comprar um drinque de vitória em sua cidade natal de Waterloo, no Canadá.
Gulunay aceitou a derrota graciosamente e era um digno favorito da multidão, mas tinha sido derrotado pelo melhor jogador – fato que ele reconheceu num momento tocante, enquanto os fotógrafos fervilhavam ao redor do campeão, Andreas apertava a mão de McDonald e lhe dizia que ele tinha merecido.
Alguns disseram que Mike parecia perplexo com o resultado, sem saber muito bem como reagir ao típico ataque da mídia que acompanha uma mão final do EPT valendo €933.600. Mas eu suspeito que tudo isso já estava contido no plano original – que, se ele jogasse bem, não fosse contra os seus instintos e permanecesse concentrado, ele poderia ganhar, e ganhar bem. Ele, afinal de contas, não é nenhum estranho para o sucesso, apenas para as obrigações da imprensa que o acompanham.
Independentemente disso, aos 18 anos há algo especial com esta vitória – a percepção de que estamos diante de mais que um simples novo campeão de torneio, mas de um torneio que será referido de novo e de novo, no futuro, como um começo de carreira a ser seguido de perto. Com apenas três semestres cursados na Universidade de Waterloo, agora ele pode até optar pelo retorno à vida de universitário, mas o seu futuro próximo é com mais poker e mais EPTs, a começar por Copenhagen.
Resultado da Mesa Final do EPT Dortmund
1˚ -- Mike McDonald – Canadá -- €933.600
2˚ -- Andreas Gulunay – Alemanha -- €528.500
3˚ -- Torsten Haase – Alemanha -- €307.000
4˚ -- Diego Perez – Espanha -- €234.200
5˚ -- Claudio Rinaldi – Suíça -- €193.000
6˚ -- Johannes Strassmann – Alemanha -- PokerStars sponsored player -- €152.000
7˚ -- Thibaut Durand – França -- €120.200
8˚ -- Christian Harder – United States – PokerStars qualifier -- €85.500
Agora cabe a você imaginar o quanto McDonald ainda pode aprimorar seu jogo. Se ele pretende repetir esta performance, é melhor ele ir se acostumando logo ao assédio da mídia.
PokerStars.com
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