outubro 30, 2007 12:27 PM
EPT Baden: Thew arrebata Baden
Julian Thew,vencedor EPT
Há jogadores de poker, há jogadores de poker populares, e depois há Julian Thew.
Fale com qualquer um da cena de poker internacional pelo tempo que quiser, e nunca ouvirá uma palavra menos simpática sobre o jogador de Nottingham, Inglaterra. É provavél que existam algumas histórias sobre algumas apostas desmioladas, flushes no turn, ganhar com as cartas da mesa e ganhar com apenas um out no river. Mas de maneira geral, Thew é um dos bons rapazes.
E agora ele é o bom rapaz que também se saiu bem: Thew é o campeão do EPT Baden, batendo outros 281 jogadores para o título e ganhando €670,800. Ele disse na entrevista antes da partida que queria pagar a hipoteca da sua casa antes de os 40. Faltavam-lhe $20,000 e tinha duas semanas até o grande dia.
Considere-o pago. E que tal outra casa? Ou um carro?
O dia começou da maneira habitual nesta pequena e pitoresca cidade termal nas montanhas Austríacas. Nós tomamos café, comemos dos melhores bolos, provamos sauerkraut e wurst, enquanto estes oito miravam a fortuna:
Vladimir Poleshchuk - Rússia - 624,000
Julian Thew - Inglaterra - 610,000
Denes Kalo - Húngria - 468,000
Manfred Hammer - Alemanha - 369,000
Anton Allemann - Suíça - 254,000
Thierry van den Berg - Holanda – jogador PokerStars - 227,000
Thomas Fuller - EUA - 190,000
Ted Lawson - EUA - 81,000
Mas os jogadores mal tiveram tempo para provar o Ketchup das suas costeletas pois dois deles já estavam a caminho da porta de saída da arena do torneio.
Ambos foram encurralados por Vladimir Poleshchuk, da Rússia, o jogador com nome e presença na mesa inesquecíveis que valeram milhares de referências na sala de imprensa de "Impaler".
Logo na primeira mão, Anton Allemann, o jogador Suíço que esteve próximo da liderança durante dois dias, foi atropelado com ás-rei num flop de carta alta-rei. Vladimir também tinha um rei mas a carta decisiva foi o nove que também surgiu: fazendo par com o nove na mão de Poleshchuk. Auf Wiedersehen, Anton.
Na mão seguinte Vladimir estava de novo envolvido. Desta vez, Ted Lawson, o detentor de uma bracelete WSOP dos Estados Unidos, estava de saída. Lawson tinha rei-dama de paus, mas Vladimir viu um ás-nove de copas e o flop seria todo vermelho e com forma de corações. Lawson foi despachado, €83,600 mais rico, da sua estreia no EPT.
Por esta altura Vladimir parecia inalcançável, quer em termos de cartas quer nos destaques óbvios escritos pelos jornalistas. No segundo aspecto, apenas Manfred Hammer se aproximava: ouviam-se muitos gritos de "Hammertime!" por Baden, bem como especulação sobre o nome do meio de Manfred. Qualquer coisa que começasse com "C" -- para MC Hammer – seria perfeito demais.
Nunca ninguém descobriu, ainda mais pena porque Hammer seria o próximo a ser afastado do torneio e mais uma vez seria Vladimir a provocar os estragos. Manfred tinha 5-5, all in pré-flop, mas o ás-dama de Vladimir bateu num ás no flop e enquanto Hammer saía no sexto lugar, Vladimir ultrapassou a barreira do milhão de fichas.
Por esta altura, os três jogadores mais discretos da mesa eram Thomas Fuller, dos Estados Unidos, Denes Kalo, da Húngria, e Thierry van den Berg, o qualifier da PokerStars da Holanda.
Mas enquanto as coisas corriam bem aos dois primeiros -- Fuller, em particular, que iniciou uma cavalgada com alguns movimentos agressivos e ao ganhar a um J-J com 7-7 -- van den Berg escapava-se para a saída.
Thierry tinha colocado o seu gráfico na mesa em ascensão nas primeiras mãos, mas acabou por ter mãos frustrantes e terminou ao ter de jogar com um valete-nove. Fuller, que agora tinha o suficiente para suportar o seu ás-dez, fez o call e enviou o último qualifier da PokerStars para a valeta, €132,900 mais rico.
Quando atingimos os quatro jogadores, a acção abrandou dramaticamente e as stacks começaram a equilibrar-se. Vladimir, Julian e depois Thomas todos alcançaram a liderança, mas nunca com grande diferença, até que ocorreu uma mão monstruosa entre o Inglês e o Americano.
Começou como um pote a três jogadores, com Denes a ser o único a abandonar a mão após Thomas ter feito um raise numa posição inicial. O flop virou Kc-6c-Qh e tornando-o um pouco perigoso: Thew fez check, Vladimir também, mas Thomas fez uma aposta de meio pote. Thew pensou por uns instantes mas acabou por fazer raise, o que afastou Vladimir. Contudo Thomas mais não iria fazer que o all in, e Julian fez o call.
Esperávamos grandes mãos e não estivemos muito longe disso. Thomas tinha par de seis na mão e bateu o set mínimo no flop. Julian tinha dama-oito de paus, para um par médio e flush draw. Desejaram sorte um ao outro e o turn foi desvendado.
Ás. De. Paus.
Essa foi a carta chave para Thew pois preencheu o seu flush. Thomas tinha mais algumas outs para full house, mas nenhuma surgiu e o jovem Americano, que o seu amigo tinha previsto que terminaria em quarto, saiu saudado e de mansinho pouco depois.
Fuller confirmou a profecia desse amigo quando foi allin com ás-seis e encontrou pela frente o par de setes de Denes Kalo. Fuller saía, com a reputação bastante elevada com o seu jogo aqui. Thew, apesar de ser o seu carrasco na mesa, também se tinha tornado seu amigo quando partilharam uma mesa em Barcelona no mês passado, e aqui próximo da mesa final. Thew estava entre muitos que reconheciam que Thomas não tinha feito um erro durante todo o dia.
Ainda assim, Julian, Denes e Vladimir tinham uma tarefa entre mãos. Não havia lugar a remorsos ou recriminações.
Mas também pouco restava no dia para Vladimir e agora era Denes o assassino-chefe. O Hungaro tinha um rei-valete quando todas as fichas de Vladimir foram parar ao meio, atrás de um ás-dama. Denes tinha feito a sequência no river e liquidou Poleshchuk. Ele ganhou €225,000.
Eis-nos no heads up – e durou bastante tempo. As blinds atingiam os 20,000-40,000, o nível mais alto de sempre num torneio EPT.
Com a acção a aquecer, Thew manteve-se fresco graças à sua característica ventoinha, e estava ele a movê-la ao acaso no ar quando Denes se preparava para um movimento fortíssimo: all-in pré-flop. Thew quase não hesitou para fazer o call e mostrou ás-oito. Parecia ser bem superior ao ás-cinco de Kalo.
Mas Julian nunca conta o peixe antes de o pescar: ele já ganhou partindo como não favorito com mãos bem mais difíceis que o cinco que pudesse surgir. Contudo, flop, depois turn e depois o river saíram todos brancos e Thew piscou os olhos, sorriu, cumprimentou o oponente, sorriu outra vez, e começou a vida de um campeão EPT.
Com uma casa só dele.
EPT
1 - Julian Thew, Inglaterra, €670,800 (+ €10,000 buy-in into EPT Grand Final)
2 - Denes Kalo, Húngria, €375,000
3 - Vladimir Poleshchuk, Rússia, €225,000
4 - Thomas Fuller, EUA, €160,820
5 - Thierry van den Berg, Holanda, PokerStars qualifier, €132,900
6 - Manfred Hammer, Alemanha, €105,000
7 - Ted Lawson, EUA, €83,600
8 - Anton Allemann, Suíça, €60,000
9 - Gunnar Rabe - qualifier PokerStars - €38,600
10 - Sebastian Ruthenberg – jogador PokerStars - €38,600
11 - David Sonelin - Suécia - qualifier PokerStars - €30,000
12 - Michael Durrer - Alemanha - qualifier PokerStars - €30,000
13 - Age Spets - Noruega - €25,700
14 - Hans Eskilsson - Suécia - €25,700
15 - Pascal Perrault - França - €19,300
16 - Peter Gould - Inglaterra - €19,300
17 - Alexander Kravchenko - Rússia - €12,860
18 - Hector Fuentes - Espanha - €12,860
19 - Victor Goossens - Holanda - €12,860
20 - Alan Smurfit - Irlanda - €12,860
21 - Kalil Rahal - França - €12,860
22 - Andreas Hoivold - Noruega - €12,860
23 - Jiri Vacek - Húngria - €12,860
24 - Daniel Mangas - Espanha - €12,860









